Espetáculo | Epidemia Prata

2019 | Cia. Mungunzá | São Paulo | SP | Duração: 1h10

O espetáculo Epidemia Prata traz uma costura entre duas linhas narrativas: a visão pessoal dos atores sobre os personagens reais que conheceram em sua atual residência na Cracolândia, e o Mito da Medusa, que transforma pessoas em estátuas. Partindo desse mote, no desenrolar da narrativa, os atores vão, aos poucos, adquirindo a cor prata até estarem completamente prateados ao final do espetáculo. Repleto de imagens e predominantemente performático e sinestésico, o universo PRATA, no espetáculo, assume uma infinidade de conotações: sua cor é a cor da pedra de crack quando acesa, sua luz traz o brilho e a necessidade de ser visto por uma sociedade que ignora determinados guetos, sua designação é indicativo de riqueza, dinheiro. Transitando entre essas conotações, os atores realizam uma infinidade de performances que vão desconstruindo personagens estigmatizados pela sociedade e compartilhando a sensação de petrificação diante de tudo.

_Ficha Técnica
Argumento e Texto Cia. Mungunzá de Teatro
Supervisão Dramatúrgica Verônica Gentilin
Direção Georgette Fade
Codireção  Cris Rocha
Assistente de Direção Victor Djalma Amaral. 
Preparação Corporal Juliana Moraes 
Direção Musical Bruno Menegatti
Elenco Gustavo Sarzi, Leonardo Akio, Lucas Beda, Marcos Felipe, Pedro Augusto, Verônica Gentilin e Virginia Iglesias 
Vídeos Flavio Barollo 
Arquitetura Cênica Leonardo Akio e Lucas Beda
Figurino Sandra Modesto
Desenho de Luz Pedro Augusto
Materiais Gráficos Leonardo Akio
Fotos de Divulgação Letícia Godoy e Mariana Beda
Produção Executiva Lucas Beda, Marcos Felipe, Sandra Modesto e Virginia Iglesias 
Produção Geral Cia Mungunzá de Teatro
Coprodução Cooperativa Paulista de Teatro
Assessoria de Imprensa Nossa Senhora da Pauta

Espetáculo recomendável para maiores de 14 anos

 


Não é uma experiência fácil de se assistir. Incômodos de diversas ordens são suscitados pela forma como certas histórias são narradas – o que é contraposto nas imagens líricas –, assim como quando vídeos da truculência policial na Cracolândia são exibidos. Quando se fala daqueles que não conhecem papel higiênico – e daqueles que os furtam –, pode não haver espaço para a poesia. Ainda assim, chove em cobertores da mesma cor onde embaixo vivem pessoas que possivelmente são muito mais do que o levado à cena.

Amilton Azevedo | Folha de SP

Essa peça da Cia Mungunzá é uma das coisas mais corajosas e honestas que já vi. Eles enfrentam o olhar da medusa que é essa nossa realidade escrota e tem a coragem de se exporem siderados, esbugalhados. Porque não tinha como não ser sobre o fracasso. Se não fosse, seria canalha. E a loucura (e a beleza) é que seguem, a peça também é isso, dando golpes enfurecidos, apaixonados, desajeitados, nessa cabeça terrível que, no entanto, vai voltar a crescer no minuto seguinte. Eles sabem disso. Mostram isso. E a peça tem a cara e o pulso do desespero. Do nosso desespero.

Janaína Leite | Pesquisadora em documentário cênico

 

Espetáculo | Epidemia Prata

08 jun
11:00 - 12:10
Teatro de Contêiner
R. dos Gusmões, 43 - Santa Ifigênia, São Paulo - SP